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Tribuna Benfiquista

Enormes

por Guilherme Monteiro, em 14.04.16

Benfica 2-2 Bayern

 

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Enormes, grandes, gigantes, os nossos jogadores, o nosso treinador, o nosso staff e claro nós, os adeptos. Ontem foi daquelas noites que, mesmo tendo sido eliminádos, nos enche a alma, nos enche de orgulho em fazer parte desta grande família. Mesmo com todas as baixas, mesmo com a diferença gigante de orçamentos oferecemos uma grande resistência a este tubarão e vendemos muito cara a eliminatória. 

 

A dificuldade deste jogo começou bem antes do apito inicial do árbitro, pois quando a equipa foi aquecer, notei que para além do lesionado Gaitán e do castigado Jonas, também não poderiamos contar com o grego Mitroglou, a contas de problemas físicos. Ou seja, os responsaveis por quase dois terços dos golos esta época não iriam alinhar frente aos bávaros. Alinhámos então com a linha defensiva habitual com Ederson, André Almeida, Jardel, Lindelof e Eliseu, com a Fejsa a voltar para o meio campo para acompanhar Renato Sanches, ficando as despesas ofensivas para Salvio, Pizzi, Carcela e Gimenez.  Se no inicio da época afirmássemos que iriamos jogar com este onze frente ao todo podedoso Bayern e que iríamos empatar, duvido que alguém não se risse dessa afirmação.

 

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Começámos muito bem o jogo, a dividir os duelos em todo o campo, até que o Bayern foi conseguindo acalmar o jogo com a sua posse de bola, no entanto nunca estando muito confortavél. Essa insegurança ficou expressa em números ao minuto 27, quando numa investida de Eliseu pela esquerda, surge um cruzamento de longa distância para um golpe de cabeça, em mergulho de Gimenez. Estava feito o primeiro no jogo, e o nosso estádio quase veio abaixo obviamente. Mesmo com todas as ausências estavamos a discutir taco a taco a eliminatória com os alemães. 

 

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A resposta do nosso adversário não se fez esperar e a 7 minutos do intervalo, após uma defesa incompleta de Edersen, Vidal voltou-nos a marcar, com um remate de primeira. Sim Vidal, esse mesmo a quem o árbitro da primeira mão poupou o amarelo que o permitiu jogar este jogo. Penso que este golo nos abalou durante vários minutos, tanto que entrámos um pouco a dormir na 2.ª Parte, tendo sofrido um golo de canto logo aos 52 minutos, algo que até nem tem sido muito habitual nesta época.  Com os alemães à frente do marcador e a eliminatória razoavelmente confortável, esperava-se um jogo calmo até ao final, mas não foi isso que aconteceu.

 

O nosso treinador lançou no jogo Gonçalo Guedes e Anderson Talisca para os lugares de Pizzi e Salvio. Confesso que na altura das substituições não me senti muito entusiasmado mas fiz mal, porque havia motivo para isso. O Benfica aplicou mais velocidade do jogo e causou muitas dificuldades ao Bayern. Numa investida pelo lado direito, Gonçalo Guedes ganha em velocidade a Javi Martinez que o derruba quando seguia isolado para a baliza de Neuer. Mais uma vez o senhor árbitro a proteger o tubarão e a amarelar apenas o espanhol. Quem não deve nenhum respeito pelos alemães foi Talisca, que na cobrança do livre fez um golaço relançando o Benfica na eliminatória. Faltavam então cerca de 15 minutos para acabar o jogo e estávamos a 2 golos das meias finais.

 

Até ao fim muitos ataques de parte a parte, muitas bolas perdidas, algumas perdas de tempo dos alemães, mesmo assim ainda tivemos duas grande oportunidades com outro livre do Talisca e com um remate de Jovic para defesa de Neuer.

 

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Tenho vários destaques a fazer deste jogo, primeiro à performance de Gimenez. Eu que tantas vezes critiquei o dinheiro que págamos por ele tenho que voltar atrás no que disse, porque, pelo seu rendimento na Champions já pagou a sua transferência, ontem então foi incansavel na luta com os centrais alemães. Uma nota também para para os menos utilizados nos ultimos meses Talisca e Gonçalo Guedes. O brasileiro voltou a dar nas vistas na Europa, e depois do golo ao Zenit voltou a facturar frente ao Bayer. Quanto ao português, ainda na semana passada jogou pela equipa B frente ao Oriental e hoje entra nuns quartos de final da Liga dos Campeões com a mesma motivação e até com um rendimento bastante interessante, continua assim miudo!

 

O nosso treinador mostrou esta época que é possivel fazer uma boa campanha na Liga dos Campeões e ao mesmo tempo lutar pelo título. Ou seja aquilo que nos foi vendido nas últimas épocas que tinhamos que ser eliminados de todas as provas para podermos ganhar o campeonato é mentira, é sinónimo de falta de capacidade, é falta de habilidade na gestão do plantel. Grande Rui Vitória.

 

Queria também destacar o comportamento dos alemães, desde o dia do sorteio até ontem, sempre respeitaram o Benfica acima de tudo. É que agora, depois do que fizémos, é fácil nos respeitar e elogiar, mas os bávaros, sobretudo na voz do seu treinador, sempre valorizaram toda a campanha que o Benfica está a fazer, e pelas declarações de ontem ainda ficou mais vincado esse facto. Ser grande também é isto, reconhecer o valor dos adversários.

 

Mais um nota final para o fair-play que decorreu durante esta eliminatória, afinal é possivel ter uma rivalidade saudavel, é possivel lutar por objectivos sem ofender o adversário e sem coagir os árbitros, uma lição para outras equipas de Portugal.

 

O mau desta eliminação é que daqui até ao final da época vamos ter que gramar unica e exclusivamente com este futebol português pequeno, mesquinho, com os octávios e os inácios da vida, com os trigueiras a perderem tempo desde o primeiro minuto de jogo, com as malinhas do dinheiro oferecidas aos nossos adversários, com os adversários dos nossos rivais a automutiliarem-se durante a semana para estarem mais fracos, com os jogadores que agridem semana após semana adversários a não serem nem expulsos nos jogos nem castigados à posteriori. Enfim, daqui para a frente já não teremos mais dias de escape como o de ontem, onde competimos com as melhores do mundo, onde o que interessa é o jogar futebol, é as tácticas dentro de campo, é diagonais, é a defesa em linha, é a paixão pelo jogo, é o hino da Champions, no fundo onde nós realmente pertencemos. Não é fácil, mas temos que encontrar motivação para lutar contra os trapaceiros deste futebol tuga.

 

 

 

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